sexta-feira, 17 de junho de 2011

AO PÉ DA VELHA FIGUEIRA

Este Poema foi publicado no meu Primeiro Livro (Nacos de Apego), lançado em 1992 pela Imprensa Universitária da UFSM.
Trata-se te um trabalho simples, escrito em Homenagem ao Amigo Antonio Carlos Bortoluzzi "Periquito".
Fala de uma Figueira Centenária existente em sua fazenda, na localidade de Arroio do Só, em Santa Maria, à sombra da qual confraternizávamos, junto ao nosso Grupo Musical da época de estudantes, o Grupo REDUÇÕES.
Bons tempos aqueles, onde nos bastava tão pouco para sermos felizes. Reparto com vocês um pouco desse tempo, em forma de versos:

AO PÉ DA VELHA FIGUEIRA
                                      Nenito Sarturi

Escorada no palanque,
Lá no fundo da mangueira,
Vislumbro a velha figueira,
Com seu porte colossal:
Marco vivo e ancestral
De indescritível beleza
- Baluarte da natureza
Nesta Querência imortal.

Ao saborear os seus frutos
Volto aos tempos de guri
E me revejo, pescando,
Às margens do Ibicuí,
Retoçando em meus achegos,
Mui pachola e sorridente,
Ou sesteando nos pelegos
Em sua sombra imponente.

Esta figueira nativa,
Viva, no fundo da grota,
É cerne da raça altiva
Que, neste pago, rebrota!

Foi testemunha inconteste
Do tranco lento da História
E enraizou-se à memória
Dos mascates e tropeiros.
Deu guarida aos carreteiros
Que, neste solo, acamparam
E, com suor, demarcaram
O meu Rio Grande campeiro.

Veio o tempo, a passos largos,
Pisoteando a minha infância,
Trazendo sestros e encargos,
Mas me deixou sua fragrância.
E, às vezes, esqueço a idade,
No meu apego à Fronteira,
E vou matar a saudade
Ao pé da velha figueira.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

POSTAGEM DO AMIGO RODRIGO VONTOBEL

Com muita alegria transcrevo Postagem do Dr. Rodrigo Vontobel, onde faz referências elogiosas a meu respeito. Não mereço tanto, caro amigo. Mesmo assim, agradeço de coração. Ei-la:

Nenito Sarturi.

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Não é de hoje que tenho uma profunda admiração por Nenito Sarturi que, sem qualquer sombra de dúvidas, é um ser humano muito especial, seja por suas melodias, letras, músicas, por ser jornalista, bacharel em direito, delegado ou história de vida.

Várias foram às vezes que, escutando seus versos, (OLHA GURI...), me emocionava quando morava em POA. Quem está longe, não tem como não sentir no peito a canção Um pito.

Descobri seu blog! E lá tive o prazer de ler seu Verso/Texto: NOSSOS POETAS, QUEM SÃO?
( http://nenitosarturirs.blogspot.com/2011/05/nossos-poetas-quem-sao.html )

Essa leitura é ouro. Obrigatória para os navegantes de plantão. Vale conferir.

Transcrevo na íntegra seu conteúdo, pois valoriza nossa cultura e identidade positiva, pois Santiago foi forjada por pessoas valorosas que ajudaram a escrever a história do Rio Grande do Sul e, até mesmo, do país.

Parabéns Nenito! Queria eu ter a capacidade de escrever esse verso que, de pobre, não tem nada!

La vai:

NOSSOS POETAS, QUEM SÃO?
Nenito Sarturi

Tem gente que desmerece a sua terra, seu chão,
E, não raro, deprecia as coisas do seu rincão.
É pra esses que não sabem d’onde vêm e pr’onde vão
Que relato, sem delongas, nossos poetas, quem são!

Pra não bater a ciumeira em quem tem a pretensão
De se achar literato aviso, em primeira mão:
Vou citar só os que “partiram” para outra dimensão
E lhes dar uma amostra de nossos poetas, quem são!

ALGUNS DAQUI SÃO NATIVOS
E OUTROS, POR ADOÇÃO,
ABRAÇARAM ESTA TERRA
COM SUA PENA E SEU CONDÃO.
DERAM ASAS A SUA ARTE
USANDO A IMAGINAÇÃO
MOSTRANDO, COM SEU TALENTO,
NOSSOS POETAS, QUEM SÃO.

Entre outros poetas e escritores de Santiago do Boqueirão, citamos:

Manoel do Carmo, Sílvio Duncan, Ramiro Barcellos, Filinto Charão, Antero Simões, Túlio Piva, Carlos Humberto Frota, Antonio Carlos Machado, Aureliano Pinto, Zéca Bláu, Nilton Mesquita, Manoel Loureiro, Caio Fernando Abreu, Jaime Pinto, Ghiray Pozo, Adelmo Genro e Tito Beccon.

Esse jeito meio chulo, que uso, é de prevenção
(Versejar em rima pobre melhora a compreensão)
Não se trata de favor - é simples obrigação:
Alardear pra o mundo inteiro nossos poetas, quem são!

Seja no verso ou na prosa desde tempos que se vão
Nosso pago é manancial da poesia e da canção.
Os incréus que me perdoem e aprendam esta lição
Pra que um dia todos saibam nossos poetas, quem são!

sexta-feira, 10 de junho de 2011

SAGAS e ODISSÉIAS

Para quem pensa que é fácil conciliar as atividades Policiais e Artísticas, vou contar um pouco das nossas andanças.
Ontem saímos da Terra dos Poetas (eu e o Trio Manancial, composto por Sérgio Rosa, Leonardo Sarturi e Xuxu Nunes) às 18h30min, em direção à Capital Missioneira (Santo Ângelo).
Conosco também viaja nosso "Fiel Escudeiro", Alan de Sá, responsável pelo Apoio Logístico e Comercialização de CDs.
Chegamos em Santo Ângelo por volta das 20h30min.
Iniciamos o Show no Arena Grill às 22h, encerrando o espetáculo èm torno da 00h30min.
Jantamos e retornamos a Santiago, aqui chegando por volta das 02h30min.
Dormi das 03h da madrugada até às 08h (exatamente 5 horas), aportando na Delegacia às 08h30min para o expediente.
Esclareça-se: os que são "só músicos" (Sérgio, Leonardo e Xuxu) dormem o sono dos justos necessário, enquanto o Delegado/Cantor aqui dirige-se às atividades policiais. Haja fôlego!
Hoje à tardinha, a partir das 18h30min, a "odisséia" se repete, pois logo mais à noite temos Show na Cantina Sapore D'Itália, um dos melhores Restaurantes de Ijuí.
Amanhã ao meio-dia nos apresentamos na Confraria do Lambari, ainda na cidade de Ijuí.
Após, retornamos a Santiago, sendo que o acordeonista Sérgio Rosa seguirá viagem até Alegrete, onde tocará um Baile à noite (esse me ganha nas "andanças"). Dá-lhe Serginho!
Sérgio retornará a Santiago domingo pela manhã, para nos acompanhar no Show/Domingueira que estaremos animando, no Galpão Crioulo do 9º BLOG, a convite do Cel. Mariath.
Tal evento foi "batizado" pelo Cel. Mariath de "Costelão de Adão", uma vez que é comemorativo ao Dia dos Namorados.
Aliás, a informação que temos é de que a Promoção já tem sucesso garantido, pois foram comercializados os 350 convites colocados à venda.
Viram como é "fácil" conciliar as atividades? É só ter boa vontade, organização e amor pelo que se faz!
É importante salientar que essas atividades todas são desenvolvidas fora do horário de expediente e "desviando" dos malfadados Plantões (Sobreaviso) nos quais nós, Delegados, permanecemos à disposição da comunidade, num sistema de rodízio, sem termos direito à folga correspondente nem a horas extras.
Mas isso já é outro assunto. Não estou aqui para me queixar e sim para relatar um pouco da "saga" de quem nasceu com um dom alcançado por Deus e procura lapidá-lo e desenvolvê-lo, na medida do possível.
Viva a Cultura do Rio Grande! Viva a Música Gaúcha!
Como disse um cidadão ontem à noite em Santo Ângelo: que Deus nos dê força e saúde para continuarmos firmes e fortes nesta caminhada!
E, para "ilustrar" a narrativa acima, posto aqui um Poema da minha lavra, musicado por Miguel Marques, que fala sobre a fibra e a garra Missioneira que trazemos no sangue.

ABRAM CANCHA AOS MISSIONEIROS
                                                         Nenito Sarturi

Abram cancha aos missioneiros
De adaga, lança e garrucha!
A estampa desses campeiros
Retrata a estirpe gaúcha.

A fibra que nos sustenta
E a fé que no peito habita
Vem do Índio Guarani
E do Padre Jesuíta...
Vem dos campos e das várzeas,
Das matas e plantações,
Vem das coxilhas e serras
E vem da Cruz das Missões.

Das searas do Caaró,
E dos serões dos ervais,
Do Lunar do Índio Sepé,
Do fundo dos arsenais,
Vem a força Missioneira
Que vai timbrar nossa luta,
Que há de empunhar a bandeira
Numa eterna “Reculuta”.

Vem das morenas Cunhãs,
Dos bravos de Caiboaté,
Esta sede de amanhãs
E o dom de morrer de pé.
Vem dos Tupis que tombaram
Nos rios, montes e vales,
Mas tombando perpetuaram
Na fé de Roque Gonzáles.

As cangas, canzis e fueiros
Das carretas bem centradas
E os tacapes esquecidos
À beira destas estradas,
Mesclam-se ao sangue guerreiro
Nos causos e nos galpões,
Dobrando chasques campeiros
Nos sinos das Reduções.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

SHOW no ARENA - SANTO ÂNGELO

Hoje à noite estarei me apresentando no ARENA GRILL, na Capital Missioneira (SANTO ÂNGELO).
Já estive por várias vezes cantando nesse excelente Restaurante.
Mas desta feita tem um sabor especial, pois fui convidado pelo Amigo Felipe Menezes, Diretor do Grupo RONDA GAÚCHA Comunicações, o qual atualmente coordena a Agenda de Espetáculos do referido Restaurante e Casa de Shows.
Convido a todos(as) os(as) Santoangelenses e das demais cidades vizinhas para passarem horas agradáveis, tomando um bom vinho e saboreando os pratos especiais do ARENA, ao som da nossa autêntica música gaúcha.
Entre as tantas músicas que estarei cantando, destaca-se a Canção "Ao Pé da Cruz Missioneira", uma parceria minha com Chico Roloff, musicada por Desidério Souza, que foi apresentada no palco do 4º CANTO MISSIONEIRO por LEONARDO SARTURI e ARMANDO MAICÁ.
Acompanham-me logo mais os grandes músicos SÉRGIO ROSA, LEONARDO SARTURI e XUXU NUNES (TRIO MANANCIAL).
Posto abaixo a Letra da composição citada.

AO PÉ DA CRUZ MISSIONEIRA
            (Nenito Sarturi, Chico Roloff e Desidério Souza)

A grande Cruz de Lorena
Abriu seus braços aqui...
E neste chão guarani
Um índio se levantou:
Seu brado forte ecoou
Cantando num verso novo
Toda a história do seu povo
Ou do que dela restou!

Ficaram as cicatrizes
Marcadas pela desgraça,
Remanescentes da raça
Permanecem explorados...
O índio, ainda espoliado,
Não tem pátria nem querência,
Segue pedindo clemência,
Mendigando algum trocado!

Restaram sonhos fecundos
Levados ao pé da Cruz...
Quem tinha Tupã por luz
Mantém o mesmo ideal:
Seguindo o velho ritual
Na aurora que principia
Tem o Lunar como guia
Na Pampa Meridional.

Antes o chão era livre,
Terras não tinham fronteiras,
Não existiam porteiras
Porque não tinha patrão.
O índio, de pé no chão,
Era rei, era senhor,
A liberdade e o amor
Guardados no coração!...

Sobraram marcas de ontem
No chão vermelho de agora,
O guarani ainda chora
Lembrando seus ancestrais.
Enquanto o leigo contempla
O ocaso de sua raça
Vende balaios na praça,
Nos pátios das catedrais.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

AO PÉ DO BRASEIRO

AO PÉ DO BRASEIRO é o nome de um Programa de Rádio que criei em 1994, quando voltei a Santiago para assumir a Titularidade da 21ª Delegacia de Polícia Regional.
A então Rádio Iguaçu FM, hoje Nova 99, era dirigida por Gibelino Minuzzi, o qual franqueou-me o horário das 18 às 19 horas, de segunda a sexta-feira, para apresentação do Programa Regionalista, com enfoque na cultura e na música do Rio Grande do Sul.
Anos mais tarde, em razão de outros afazeres, não pude mais conciliar meu tempo para apresentá-lo, passando tal incumbência ao primo e amigo VALTER FIORENZA, o qual, após algum tempo ausente dos microfones, comanda este espaço até hoje.
Mas o que alguns não sabem é que o nome do Programa foi inspirado em um Poema/Canção da minha autoria, falando de amor e ternura, o qual transcrevo aqui.
Tal Poema também servirá de título a um Livro que estarei lançando, tão logo consiga recursos financeiros para tanto, uma vez que minhas Produções (Livros e Discos), têm custeio próprio. Eis o Poema.


AO PÉ DO BRASEIRO
                Nenito Sarturi

Por vezes solito, à beira do rancho,
Me vem, de carancho, uma saudade antiga:
Mal chega, se abanca e, no meio dos mates,
Sussurra-me partes de velha cantiga...

À luz do borralho me quedo, silente,
Espero que aquente mais uma cambona,
Rumino recuerdos, domando a ilusão
Da potra-paixão que restou, redomona.

Por buena que seja a saudade castiga...
Maleva, fustiga – estampando o desgosto –
Às vezes, de manso, se finge de amiga
E faz mais compridas as noites de agosto.

Ao pé do braseiro sou rei, no meu mundo:
Esqueço de tudo o que não me compraz.
Mas, logo que o sol vem frestear no meu rancho,
Tristonho desmancho o meu ninho de paz...

E, então, me enfurnando nos bretes da vida,
Campeio – na lida – as razões que perdi:
Lembranças judiam bem mais que o sol rubro
E, saudoso, descubro que não te esqueci...

terça-feira, 7 de junho de 2011

O VALIOSO TEMPO DOS MADUROS

Caros Amigos!
Este texto de Mário de Andrade foi produzido no século passado.
É de uma riqueza ímpar e sintetiza muito do que penso em relação à vida e à maneira de vivê-la.
Recebi de um amigo muito especial e, dada à profundidade e beleza, resolvi compartilhá-lo com vocês.
Deleitem-se com esta mensagem linda e incrivelmente atual,
apesar de escrita há tantos anos.

O Valioso Tempo dos Maduros
Autoria: Mário de Andrade
(1893-1945)
Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora. Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral. "As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos". Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa... Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade,  caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, o essencial faz a vida valer a pena. E para mim, basta o essencial!

FESTIVAL DA MÚSICA CRIOULA

A maioria das pessoas sabe que sou "apaixonado" pelo nosso Festival da Música Crioula de Santiago. Coordenei seis edições do Festival e, talvez por isso, torço muito pela sua permanência no Calendário de Eventos Culturais do Rio Grande do Sul.
Pois bem! Hoje estou muito contente, pois soube extraoficialmente que o nosso Festival vai voltar a ser realizado este ano. E de forma independente, não vinculado a qualquer outro evento, pois nosso Festival tem brilho próprio. Afinal de contas, já ganhamos premiações de Melhor Festival do RS.
Segundo consta, já temos datas definidas para sua realização: 08, 09 e 10 de dezembro.
E também extraoficialmente, fiquei sabendo que a Comissão Organizadora, capitaneada pelos valorosos Marco Antonio Nunes e Sílvio Ricardo de Paula, já definiu a nominata dos integrantes da Comissão Julgadora, entre os quais estarão LUIZ CARDOSO, TUNY BRUM e o santiaguense VALDIR DISCONZI. Nomes competentíssimos e reconhecidos no cenário poético-musical gaúcho.
Parabéns, Amigos. Mãos à obra e contem com este peão do Festival, pra o que der e vier.